12 de mar de 2010

“Não meu bem, não adianta bancar o distante...”

O que é esse gato preto na sala, doutor? Alucinação ou não, minha mãe afirma convicta que tal fato fez parte do meu nascimento notívago, se havia ou não um gato preto num dos momentos que protagonizei minha vida, a questão é que essa história jamais poderá ser confirmada.
Mais tarde-agora, minha fascinação por vozes femininas pode estar associada ao convívio quase majoritário com tias e primas e irmã e mãe e vizinhas e colegas e elas. Hoje Feist, a canadense, Sophie Zelmani, a sueca, ou a irlandesa Dolores O’Riordan e mesmo Ella (quase redundante) e a Billie, quase suprem as ausências das mulheres da minha vida de alguns poucos anos atrás, e eu juro que poderia preencher laudas com nomes d’Elas.


Nas minhas leituras elas tentam, quase predominam, exceto pelo Caio – prin-ci-pal-men-te o Caio, o Fernando Abreu, ou Caio F., o primo careta da Christiane, como costumava assinar algumas cartas. Minha identificação com seus textos é tão intensa que sinto – vezenquando*, ele vivendo nas minhas entranhas.



E depois - ou durante - elas e Ele, ouvindo elas e Ella, eu ouso exteriorizar tanta introspecção – e escrevo: percepção do nada, questionamento coletivo ou só pra não “somatizar”, pois dizem que vira câncer, vai saber... Melhor não arriscar.

Ah! E tem Ela na tela, mas dirigida por ele, aliás, Ele, melhor – outro Ele, o Bergman, sueco (por que mesmo não nasci lá?). Mas isso, isso tem pouco tempo – Sonata de Outono em verão: náuseas, um nó estranho em sábado à noite. Não! Jamais assistirei filmes reflexivos aos sábados à noite outra vez (me contradigo, já vi de novo e novos). Mas a Liv Ullmann (poderia ser Womam, não?) ela é incrível e escreve sobre vida tão sutilmente que me sinto em morte-no-jardim-florido, e releio, revejo-a.


Mas isso tudo (?) faz tão pouco tempo que, quando penso em década de 90, minha memória me apresenta jogo de taco na rua, caminhão de batatas e seus megafones, comprar (e vender) geladinhos, aqueles sucos congelados que levam um tipo de brisa à vida de quem vive nos interiores dos estados e vivem, em verões que hoje, são Bergman.
A coisa cosmopolita que vivo e desejo mais, me remete ao sonho do crescer-na-vida, mas nesse fragmento de vida em papel (?), torno a questionar que vida foi a vivida, qual é a escolhida e pra que lado quero que o furacão me leve, como costumo dizer, no olho do furacão não percebemos sua intensidade, mas o importante é o movimento que ele faz, e sua direção.

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