16 de abr de 2010

Orientalizado.

Fragmento. Isso! Um fragmento. As cores fantásticas em fotografia imóvel, hipnotizam e remetem a um imaginário quase infantil e esquecido. Os caminhos trilhados em cor pastel indicam vida continuada, os diálogos sutis, parafraseando percepções, sugerem introspecção simultânea. Um personagem, e eu e tu e eles, fomos entrados juntos no quadro parado (?) diante da vida.
Contrastes na imagem fragmentada, engrenagens induzem à uma certa continuidade e, não estranhamente a imagem para, o personagem segue, e a imaginação-nossa, diante da imagem estática quase se confunde, se não fossem as frases que continuam instigando “por quês” quase esquecidos.
Sem reticenciar, porque há outros sonhos-reais praquele caminho que vai ser trilhado em túnel e sobre lagos e com mochilas e anciãos e cachorros. E os pássaros - que voam, são negros como um túnel sem luz no fim, mas voam e possuem ritmo de canção.
Os cachorros que uivam em prévia de velório, avisa: há coisas além daqui e eu fico aquém se persistir. Pé ante pé e a audição da gente fica assustada, entende? Aqueles sons ecoados em túneis escuros indo prum lado desconhecido, quase temido.
A rigidez e disciplina, gritantes em militares - tão vulneráveis diante de um fim. Surpreso, não ousei piscar. E não pisquei, até sentir as palavras nos meus pensamentos, refletindo a morte, quando eu for, ela vier, e acontecer. Porque a vida está acontecendo e o fim (?) chegará. Como para um pelotão de soldados em guerra, que quando acaba, a vitória é alheia.
Enfim, um fim com final feliz, celebrado com canções e lagos e moinhos nas águas que correm ao som da fluidez da vida que continua acontecendo.As gentes cantam por um ancião com vida vivida que foi, foi ali prum lugar que só não tem nome, porque não precisa, não precisaríamos – sequer, nomear essa coisa toda. A vida, a desvida, a morte em vida, nem o mundo em que vivemos e morremos...
Sinto uma quase pressa para terminar o texto da morte, não fosse minha admiração e tentativa de empenho pela linearidade. Tento não temer a morte, desde que não haja um fragmento sequer de vida para ser vivida, quando a minha morte acontecer.

4 comentários:

  1. Ah, meu querido, esse seu texto me lembrou uma poesia de Mario Quintana, meu poeta predileto:

    INSCRIÇÃO PARA UMA LAREIRA

    A vida é um incêndio: nela
    dançamos, salamandras mágicas
    Que importa restarem cinzas
    se a chama foi bela e alta?
    Em meio aos toros que desabam,
    cantemos a canção das chamas!

    Cantemos a canção da vida,
    na própria luz consumida...

    Forte abraço e sucesso, sempre!

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  2. Ai, Ju, vc tá fazendo uma falta... Cadê seu brilho? Vem ver a gente!
    Um beijo

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  3. estou com saudades de vc!
    um segredo: estou abandonando o navio também.

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  4. "E os pássaros - que voam, são negros como um túnel sem luz no fim, mas voam e possuem ritmo de canção."

    Que bonito. Belo Blog.

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